O Brasil envelheceu rápido. O Censo 2022 do IBGE contabilizou 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, 15,6% da população, depois de um crescimento de 56% em relação a 2010. Minas Gerais está entre os três estados mais envelhecidos do país, e Belo Horizonte acompanha esse movimento.
Por trás do número há uma realidade concreta: famílias que, de uma hora para outra, passam a administrar um cardiologista, um endocrinologista, um ortopedista, exames em três laboratórios, uma operadora e uma rotina de medicamentos que ninguém combinou entre si.
É aí que entra a gestão do cuidado, categoria conhecida há mais de três décadas nos sistemas americano (care management) e europeu (case management) e ainda em estruturação no Brasil.
A função, não o nome
Gestão do cuidado é a coordenação executiva da saúde de um paciente idoso entre os múltiplos profissionais, instituições e rotinas que cercam o caso. Exercida por uma enfermeira-gestora, ela faz cada decisão clínica encontrar execução cotidiana fiel e cada sintoma novo encontrar interpretação rápida. Não é uma especialidade médica a mais: é a camada que organiza todas as outras.
A literatura científica chama essa lógica de avaliação geriátrica ampla e coordenação de caso. Revisões recentes associam programas estruturados de coordenação conduzidos por enfermagem à redução de reinternações, ao adiamento da institucionalização e ao melhor uso dos recursos de saúde, com famílias e médicos relatando experiência de cuidado mais organizada. O modelo guided care, avaliado em ensaio clínico nos Estados Unidos, mostrou ganhos significativos em definição de metas, coordenação e apoio à decisão para pacientes com múltiplas condições crônicas.
O que a gestão do cuidado coordena
Na prática, a coordenação se organiza em três frentes:
- Jornada de saúde: curadoria de profissionais, agendamento integrado, intermediação com operadoras, gestão de documentos, cotação de medicamentos e exames.
- Acompanhamento clínico próximo: consultas de enfermagem, presença em consultas e exames, gestão segura da medicação, avaliação do ambiente domiciliar e supervisão de cuidadores.
- Procedimentos técnicos integrados: como curativos com formação em estomaterapia e administração medicamentosa conforme prescrição.
Quando a Axis entra
Seis situações típicas concentram a procura:
- Múltiplas especialidades envolvidas sem que nenhuma enxergue o conjunto;
- O período após uma alta hospitalar significativa;
- Filhos sem presença diária;
- Polifarmácia e as primeiras confusões;
- Pessoa idosa dependente com cuidadores em casa;
- Pessoa idosa em residencial sênior que precisa de interlocução técnica independente da instituição.
O ponto comum entre elas é a falta de um responsável pela visão integral. Cada profissional cumpre bem a própria parte; o que não existe é quem articule as partes ao longo do tempo. Gestão do cuidado é exatamente isso: continuidade integral no cuidado, para famílias que não podem improvisar.